A dor facial em seu filho pode ser por sua causa.

Para quem trata de dores crônicas como as disfunções temporomandibulares (DTM) e dores orofaciais, uma das investigações mais importantes diz respeito aos aspectos emocionais do paciente. A irritação crônica, ansiedade, tensão emocional e, principalmente, a catastrofização são traços de personalidade que farão diferença no diagnóstico e no controle da dor. Essa relação é tão íntima que 70% dos pacientes com DTM se consideram ansiosos e muitos trabalhos científicos mostram que até o sucesso cirúrgico em  ATM (articulaçao do maxilar) está diretamente relacionado a determinados traços emocionais. O que talvez você não saiba é que tudo isso envolve um histórico de aprendizagem: Essa pessoa aprendeu com seus pais a catastrofizar.

Um conceito (relativamente) novo: Catastrofização

A catastrofização é o comportamento humano marcado pela expectativa do futuro e, invariavelmente, negativa. São pacientes vítimas de um modelo de pensamento que tenta antecipar todos os eventos. – E se o ônibus atrasar, e se eu for demitida, e se meu casamento acabar… e se…

Isso gera nas pessoas insegurança, tensão, ansiedade, estresse, irritação, comportamentos agressivos e muito hormônio na corrente sanguínea.

Essas substancias são benéficas e já salvaram muitas pessoas de situações limites, mas produzidas ininterruptamente tornam-se nocivas ao nosso organismo e causam muitos problemas, especialmente baixa imunidade, inflamação, tensão muscular generalizada e dor, muita dor.

E o que os pais têm a ver com isso?
Em 2013 foi publicado um artigo na revista da Associação Americana de Psicologia que relacionava positivamente os níveis de sofrimento emocional das mães com o dos seus filhos. (veja artigo na integra).

Os pesquisadores concluíram que o sofrimento emocional, especialmente os elevados níveis de ansiedade materna, é um dos preditores mais consistentes de ansiedade na criança.

A literatura psicanalítica é profusa em mostrar que pais inseguros, sentimentos de indiferença, ou baixa afetividade podem comprometer a saúde mental de crianças e adolescentes, potencializando a sintomatologia depressiva, problemas de ansiedade, baixa auto-estima e problemas de comportamento.

Coincidentemente, no dia em que escrevia esse artigo, recebi de minha filha notícias de uma família amiga que há muito não via. Lembrava-me que eram pais superprotetores, mimavam seus filhos de forma patológica e o pai, em especial, não tinha autoridade.

O rapaz, agora com 28, terminou um curso de direito em uma faculdade ruim e hoje não trabalha e nem estuda por ter tido recentemente síndrome do pânico. A garota, 18 anos, teve uma crise de depressão e parou temporariamente o ensino médio. Existia uma suspeição de tentativa de suicídio.

Levei um choque. Passei o dia todo refletindo sobre isso. Não pude deixar de pensar que de alguma forma, quando temos filhos, suas histórias acabam sendo a medida de nosso sucesso nessa vida. Se chegarmos ao final dela apresentando uma trajetória profissional mediana, sem qualquer acúmulo material, mas tendo filhos emocionalmente equilibrados, centrados e conscientes de si, certamente nos encherão de orgulho e ficaremos em paz.

Em contrapartida, uma carreira belíssima, com grandes feitos empreendedores e riqueza material, ladeados à uma história de filhos como essa, certamente nos trará um peso, um estado de melancolia.

Senti pena desse amigo, mas pelo menos me confortei sabendo que nesses casos os pais nunca se veem culpados.

Pense nisso. Faça um autoexame e seja vigilante. Abra seu coração para os amigos e aceite críticas e sugestões fraternas. Se profissional da saúde de outra área aborde o caso com seu paciente. Não tema a psicoterapia, ela pode ser a sua solução.

Caso tenha dúvida se você é um paciente de dor facial, faça nossa consulta virtual. Se só quiser conversar, mande uma mensagem nos contando sobre você,

Política de Privacidade