Um exemplo de raciocínio terapêutico em Dor Facial.

Para tratar uma DTM (disfunção temporomandibular), eu preciso reunir uma série de informações e desenvolver um raciocínio terapêutico, algo como um detetive, desses de filmes, desvendando um mistério.

Primeiro escuto atentamente meu paciente. Além do que ele me fala com a boca, interpreto o que ele me fala com os gestos, com sua roupa,  com suas atitudes, contadas nas conversas ou relativas a uma possível companhia trouxe para a consulta.

O que eu busco, além desses aspectos mais subjetivos, é a origem biológica de sua doença.   Pode ser algo muscular, articular, neurológico, somente facial ou envolvendo outras doenças. Cada situação dessas exigirá uma abordagem diferente e muitas vezes, a colaboração de outros profissionais.  Para você entender, conto rapidamente ao linha de raciocínio terapêutico de um exemplo reincidente em minha clínica.

Paciente com 56 anos, feminino, relata dor intensa na face ao acordar, agravado com a mastigação de alimentos mais duros como torradas. Sente a dor de forma difusa nas duas faces e uma outra, mais forte, em forma de agulhada, no ouvido esquerdo. Nesse ouvido tem a impressão de estar sempre “entupido” e sentir ali uma espécie de “areinha”. Já foi ao Otorrino que diz não ter nenhuma infecção ou motivo para aquilo.  Relata ainda ter uma dor de cabeça antiga, que vai e volta e era pior quando menstruava. Essa dor sempre provocou uma certa “ânsia”, sensibilidade à luz e ao som alto. Piorava se fizesse qualquer esforço, como por exemplo subir uma escada. Se declara muito nervosa e detalhista no trabalho.

O meu raciocínio seria o seguinte:

A dor de cabeça antiga, com náuseas, relacionadas às variações hormonais, com foto/fonofobia e piora no exercício físico me faz pensar em um tipo especifico de dor de cabeça, a migrânea, também conhecida por enxaqueca.

A dor difusa e matinal na face é condizente com DTM muscular e ao exame físico pode aparecer nódulos musculares, os pontos “gatilho” que confirmariam tal situação. Os pontos gatilho são “gatilhos” porque disparam a dor.

A dor em forma de pontada, sensação de ouvido obstruído e o som de areia sendo esfregada leva o caso imediatamente para uma degeneração anatômica da ATM esquerda. A hipótese é que a paciente tenha uma osteoartrite.

Hipótese Diagnóstica: DTM muscular e articular, com osteoartrite em ATM esquerda e cefaléia tipo migrânea.

Plano terapêutico:
Imediato ( para debelar a crise): Agulhamento a seco nos pontos gatilho, ou uso de eletrochoque na musculatura afetada.

Para fazer em casa: Exercícios mandibulares, fisioterapia muscular da face, termoterapia (frio ou calor na dependência do paciente), tomar os remédios.

A médio prazo: Depois de controlar a crise  eu faria um aparelho (que não é o ortodôntico e têm técnica específica para sua confecção e está mais indicado para a DTM articular), continuaria com os agulhamentos, fisioterapia , exercícios mandibulares e medicação.

A médio/longo prazo: retiraria a medicação, encaminharia para um cefaliatra (neurologista) para controlarmos a migrânea e proporia uma psicoterapia para trabalhar a ansiedade. Faria sessões clínicas para reavaliações e nelas faria ajustes no aparelho e abordaria 4 temas fundamentais no controle da dor:

Dor e qualidade do sono,
Dor e alimentação,
Dor e exercício físico
Dor e estilo de vida – enfrentamento de problemas emocionais.

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